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3 Curiosidades sobre a tradução do inglês para o português

Você já se pegou lendo um livro ou as legendas de um filme e pensando: nossa, como traduziram isso? Ou você nem pensa na tradução? Talvez você saiba inglês e frequentemente avalie que conseguiria traduzir de forma mais adequada alguma piada na sua série favorita. Seja como for, a verdade é que muito da cultura que consumimos no Brasil depende dos profissionais da tradução para chegarem aos leitores ou telespectadores com a mesma carga dramática, cômica, assustadora…

O que envolve o processo de tradução? E quais são algumas das curiosidades e dificuldades enfrentadas pelos profissionais dessa área de atuação? Neste artigo, vamos falar sobre algumas curiosidades da tradução do inglês para o português. Quer saber mais?

1 O texto em português normalmente fica mais extenso do que o original em inglês

O inglês é uma língua enxuta. As palavras tendem a ser curtas e as frases, objetivas. Enquanto no português escrevemos frases mais longas, principalmente em textos acadêmicos, no inglês é sempre preferível “quebrar” as frases em períodos mais curtos. Um bom exemplo dessa característica da língua inglesa é perceber que os substantivos muitas vezes se tornam verbos, de forma oficial, ou não, para enxugar as frases e facilitar a comunicação.

No episódio 13 da terceira temporada da série The Office, que ficou no ar por oito anos, de 2005 a 2013, o personagem Andy Bernard diz, frustrado após perder uma oportunidade de venda: “I schruted it”, utilizando “Schrute”, o sobrenome de outro personagem, Dwight Schrute, para criar um verbo que, no contexto, queria dizer fazer algo errado ou muito mal. Esse é um exemplo da criação de verbos a partir de substantivos de forma “não oficial”, algo que é extremamente comum na fala rotineira de falantes nativos do inglês. São três palavrinhas: “I schruted it”; mas como um tradutor poderia traduzir essas palavras de forma clara? Acabaria ficando mais longo: “Dei uma de Schrute” ou “Agi como o Schrute”.

Mas alguns desses substantivos acabam se tornando oficialmente verbos, reconhecidos pela gramática da língua inglesa. Para quem fala inglês, pode ser completamente natural usar Google, por exemplo, como verbo, não apenas como o nome da ferramenta de busca mais utilizada no mundo. “I’m going to google it” ou “Google me” são frases completamente comuns e reconhecíveis em inglês, e enxugam a frase: antes, se dizia “I’m going to search this on Google” ou “I’m going to search for you on Google”. Mas os falantes de inglês gostam de simplificar. Já em português, continuamos com o antigo formato: “Vou pesquisar isso no Google” ou “Vou pesquisar seu nome no Google”. Quem sabe um dia Google não vira verbo por aqui também?

2 Algumas palavras não precisam ser traduzidas

A tradução não é, necessariamente – na verdade, quase nunca –, a tradução de uma frase palavra por palavra. Tradutores, via de regra, traduzem o sentido de um texto, mais do que suas palavras de acordo com o dicionário. Precisa-se considerar o contexto do que está sendo dito, o público a que se refere, onde foi escrito. Caso contrário, qualquer um com um dicionário em mãos poderia ser tradutor – e esse não é o caso.

Uma das coisas que mais “pega” quem está, por qualquer motivo que seja, traduzindo um texto do inglês para o português palavra por palavra, é que muitas palavras do inglês não precisam aparecer na tradução para o português. Ou até podem aparecer, mas o texto traduzido não vai soar natural, vai ficar estranho aos ouvidos dos falantes nativos de português.

Exemplos…

O exemplo perfeito dessa questão é a palavra “it”. Quando aprendemos inglês na escola ou em algum cursinho, aprendemos que o “it” vai junto com “he” e “she” (ele e ela) na terceira pessoa do singular em inglês, e que pode ser traduzido por “isso”. Nos ensinam que o “it” é utilizado para se referir a objetos e animais – que podem, realmente, ser chamados de “it”, mas, no geral, recebem algum dos pronomes marcados (outra curiosidade: em inglês, aranhas e cobras são “ele”). Mas o “it” é utilizado para muito mais do que isso no inglês – ele é utilizado como um complemento meio indefinido, por exemplo, ou como um sujeito indefinido em frases.

Se alguém que tem apenas um conhecimento básico da língua inglesa e está traduzindo um texto no qual aparece a frase “It is going to get hot today”, o que essa pessoa vai fazer com este “it”? Ele não quer dizer nada. A tradução correta da frase seria: “Vai ficar quente hoje”. Mas, alguém olhando o dicionário pode acabar traduzindo por “Isso vai ficar quente hoje” – bom, digamos que em alguns contextos, essa realmente poderia ser a tradução dessa frase. Mas e “It it raining” – que quer dizer apenas “Está chovendo”? “Isso está chovendo” não parece correto em nenhum contexto.

Outro bom exemplo: alguém vai ao cinema e sai da sessão falando sobre o filme com seu companheiro de audiência. “Did you like it?”, um pergunta. O outro responde: “I really liked it!”. O que fazer com esses “it”? As traduções poderiam ser simplesmente: “Você gostou?”, “Eu gostei muito!” – nenhuma tradução necessária para o “it”, que se refere ao filme, mas, no português, não precisa ser explicitado.